20 abril 2011

HÁ CINEMA NO BAIRRO


Lisboa ganhou uma nova sala onde é possível ver filmes, e o Bairro Alto tem uma nova morada para as artes. Chama-se Teatro do Bairro e é um espaço aberto para uma programação multi cultural. Apesar da rotina fervilhante da noite, do pequeno comércio, do turismo e das lojas mais alternativas, o cinema não tem sido uma actividade de sucesso no Bairro Alto. Com excepção de sessões promovidas por associações recreativas, o bairro tinha apenas um único cinema: o Cine-Paraíso é a mais antiga sala de cinema da cidade em actividade regular, e hoje em dia ocupada com programação para adultos.
Até à década de 70 foi cinema Ideal, e depois disso Cine-Camões. Há meia dúzia de anos, ainda experimentou receber uma extensão de filmes do Fantasporto, mas acabou por voltar a programar cinema pornográfico. Até há um mês foi a única sala onde era possível ver filmes nas imediações do Bairro Alto, mas a partir de agora, tudo é diferente. A abertura do Teatro do Bairro vai trazer de volta o cinema, juntamente com o teatro, os concertos, as intervenções artísticas ou o fado. O espaço é uma caixa escura de 600 metros quadrados, toda adaptável às propostas de programação. Uma bancada removível de 80 lugares, cortinas em vez de paredes, e um espaço de bar que se mantém em silêncio durante os espectáculos ou projecções. O investimento foi de 450 mil euros pensado para ser partilhado por várias artes.

O Regresso da Zero em Comportamento

Durante a década de 90, a associação que é agora responsável pelo festival IndieLisboa, foi pioneira na forma como conseguiu seduzir o público de Lisboa, programando um pequeno e velho cinema perto do Saldanha. O Cine 222 mostrava filmes indianos, mas os ciclos da Zero em Comportamento formaram público e serviram de alternativa aos espaços mais institucionais da cidade, como a Cinemateca. Havia cinema de autor, clássicos que já estavam afastados do circuitos, revisões de carreiras e obras que não cabiam nas salas comerciais. A Zero está de volta à programação de um espaço e tomou conta dos domingos no Teatro do Bairro.

Cinema Indie e domingos diferentes num dos bairros mais típicos de Lisboa

Ainda vai levar algum tempo até os moradores do Bairro Alto se transformarem em público, por isso a aposta mais imediata, segundo Nuno Senna, da Zero em Comportamento, está voltada para os frequentadores. Uma das apostas é mostrar fimes que passam pelo IndieLisboa e que ainda não estão esgotados, ainda podem seduzir público que não conseguiu apanhar a sessão durante o festival.
Outras propostas passam pelas curtas metragens que o festival consegue angariar e que dificilmente têm visibilidade nos cinemas. Ao domingo à noite, as sessões no Teatro do Bairro são preenchidas por filmes de curta duração, numa tentativa de cativar o público mais jovem e os estudantes que frequentam os bares locais.

11 abril 2011

FESTIVAL ARTE MAIS


CONVITE
“FESTIVAL ARTE MAIS - arte com valor acrescentado - Associação Mais Cidadania”
Um festival das pessoas e para as pessoas: arte como linguagem de encontro, onde diferentes culturas, gerações e perspectivas juntam-se no dialogo.
6ª edição de 14 a 17 Abril 2011 - Bairro Alto.
A Associação Mais Cidadania organiza uma nova edição do Festival que se tornou um importante evento anual pelas pessoas que vivem no Bairro Alto e para todos.
O programa está rico de ideias e propostas: workshops, concertos, debates, teatro, dança, artes plásticas, poesia, exposições, feira de artesanato e jogos tradicionais. Todos os eventos são gratuitos. A Associação Mais Cidadania através do Festival quer contribuir ao desenvolvimento comunitário do Bairro Alto: melhorar as condições de vida daqueles que habitam a comunidade oferecendo uma proposta cultural inclusiva e promover o desenvolvimento local no respeito dos valores, da história, da cultura e dos recursos do território. Neste contexto, o objectivo principal deste evento é juntar as realidades locais acreditando nas parcerias e reforçar a participação das pessoas e instituições que compõem a comunidade. Os espaços onde as iniciativas acontecem são: Associação Mais Cidadania, Freguesia de Santa Catarina, +Skillz, Polidesportivo de Santa Catarina, Miradouro de São Pedro de Alcântara e as ruas do Bairro Alto.


QUINTA-FEIRA 14 DE ABRIL
18H-19H - Abertura do Festival- Porto de Honra
19H - Inauguração Exposições
 Desenhos de Keit Karemae  e Pinturas de Anne Laidam.  Local: Junta de Santa Catarina
20H-22H - Mesa Redonda “Teatro, Bairro e Desenvolvimento Sustentável” com Performance. Local:  Junta de Santa Catarina

SEXTA-FEIRA 15 DE ABRIL
15H-20H - Exposições Desenhos, Pintura - Local:  Junta de Santa Catarina
15H-20H - Exposição de Fotografia - Tomás Brandão - Local:  Sede
15H-17H - Workshop “Graffiti” - Marco Boscaglia - Local:  Sede
17H-19H - Workshop “Pintura Acrílica” - Liliana Jardim - Local:  Sede
22H-00H - Concerto: Tanira (Folk music) + Ima & Ady (Hip Hop & Reggae) - Local:  Sede
00H-01H - Dj set +Skillz - Local: Sede

SÁBADO 16 DE ABRIL
14H - Exposições Desenhos, Pintura - Local:  Junta de Santa Catarina
14H - Exposição de Fotografia - Tomás Brandão - Local:  Sede
14H-16H -Workshop de “Artesanato com motivos infantis” de Sandra Figueiredo - Local:  Sede
16H-18H - Caça ao tesouro - Local:  Sede e ruas do Bairro Alto
21H - 23H - Danças latinas com leituras de poesias. Local: Miradouro de S. Pedro de Alcântara

DOMINGO 17 DE ABRIL
14H - Exposições Desenhos + Pintura - Local:  Junta de Santa Catarina
14H-20H -Feira de Artesanato da Comunidade. Local:  Junta de Santa Catarina
14H-16H - Pintura facial para crianças -Denise Souto . Local:  Junta de Santa Catarina
16H-18H - Jogos Tradicionais - Local:  Polidesportivo de Santa Catarina
20H30 - Encerramento do Festival Arte Mais - Local:  Junta de Santa Catarina

06 abril 2011

UM PASSEIO PELO BAIRRO


Venha conhecer o Bairro Alto. O tema deste mês é Alfarrabistas e a Imprensa. Este percurso foi criado pelo projecto Eva (integrado no programa do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, o Programa Escolhas e o Clube Português Artes e Ideias promovem o projecto “EVA - Exclusão de Valor Acrescentado”) com a parceria do projecto +Skillz (um projecto social do Programa Escolhas que se destina à comunidade jovem do Bairro Alto dos 12 aos 24anos).

"O BAIRRO É"

Região: Lisboa
Local: Bairro Alto
Temáticas: Alfarrabistas e Imprensa
Percurso: O Bairro Alto é um bairro que tem sofrido várias mutações ao longo dos anos. Há quem diga que o típico bairro alfacinha foi durante muitos anos a capital da imprensa escrita, porém ainda existem locais e histórias que nos permitem recordar esse tempo. Neste percurso pelas ruas do bairro iremos conhecer as várias redacções dos jornais (activas e re-transformadas), explorar as lojas de Alfarrabistas e as histórias escondidas no meio dos livros, contadas por quem melhor as conhece. Para o acompanhar nesta viagem terá a companhia de um guia, residente no bairro, que lhe dará a conhecer curiosidades e factos históricos relacionados com estas temáticas. Terminaremos este passeio com um apetitoso lanche com petiscos típicos.
Venha conhecer a verdadeira essência deste local e as histórias que aqui permanecem.
Como Participar:
Data: 30 de Abril (Sábado) de 2011
Hora de Encontro: 17horas no +Skillz, Rua do Teixeira nº 13, Bairro Alto, Lisboa
Inscrição: Pré-inscrição no site www.bairroaltoe.com, inscrições limitadas a 15 pessoas
Preço Individual: 10 euros
Inclui:
Visita guiada, acesso a locais restritos e lanche.

QUIOSQUES E RESTAURANTE EM CONCURSO

Novos concursos para quiosques municipais: Jardim Fernando Pessa e Parque Eduardo VII

 A Câmara Municipal de Lisboa, pelouro do Ambiente Urbano e Espaços Verdes, informa que estão a decorrer dois novos concursos para quiosques municipais, modelo contemporâneo, destinados a estabelecimentos de bebidas com esplanada, localizados no Jardim Fernando Pessa e no Parque Eduardo VII / Av. Sidónio Pais.
 Até 29 de Abril decorre um concurso para a concessão do direito de exploração de um quiosque municipal destinado a estabelecimento de bebidas com área total de esplanada de 330 m², sito na cobertura do edifício do metro, no Parque Eduardo VII à Av. Sidónio Pais. A concessão é válida pelo período de 5 anos, prorrogável até ao limite máximo de 8 anos. O preço mínimo mensal é de 750,00 euros (IVA não incluído). Os elementos de mobiliário de exterior (mesas, cadeiras e guarda-sóis) a colocar na esplanada são fornecidos pela Câmara Municipal de Lisboa. O estabelecimento deverá funcionar, como horário mínimo, todos os dias da semana das 10 horas às 18 horas.
 A abertura das propostas do concurso acima designado realiza-se pelas 10.00 horas do dia 2 de Maio, na Divisão de Aprovisionamentos da CML, Campo Grande, nº25, 2º Piso, Bloco A. Mais informações em: http://www.bizgov.pt/procedimentos/default.asp?op=1&ref=28051&ID=33&IDP=0&P=33.
 Decorre até 2 de Maio de 2011, um concurso para a concessão do direito de exploração de um quiosque municipal destinado a estabelecimento de bebidas com área de esplanada de 100 m2, no Jardim Fernando Pessa. Com a instalação deste quiosque, o jardim junto ao Fórum Lisboa (Av. de Roma) passará a dispor de uma oferta mais abrangente, complementando assim o parque infantil e o campo polidesportivo ali existentes.
 Esta concessão é válida pelo período de 5 anos, prorrogável até ao limite máximo de 8 anos, e o valor base da proposta (preço mínimo mensal) é de 500,00 euros (IVA não incluído). Mais informações em:
 http://www.bizgov.pt/procedimentos/default.asp?op=1&ref=28172&ID=33&IDP=0&P=33. A abertura das propostas deste concurso realiza-se pelas 10.00 horas do dia 3 de Maio, na Divisão de Aprovisionamentos da CML, Campo Grande, nº25, 2º Piso, Bloco A. Mais informações em:

 Concurso público para exploração do restaurante de Montes Claros (Monsanto)

Está a decorrer o concurso público para atribuição do direito de exploração do restaurante do miradouro de Montes Claros, no Parque Florestal de Monsanto. O concurso prevê a concessão por 20 anos, prorrogáveis por um período de 5 anos, até ao limite máximo de duração do contrato de 25 anos.
O restaurante é composto por dois pisos, com numa área bruta de implantação de cerca de 1300 m² (incluindo área da cave e sótão), e uma zona de esplanada com 278m2. O futuro concessionário terá de assegurar algumas obras de reabilitação do edifício, preservando os elementos patrimoniais, sendo a base de licitação 1000 Euros por mês (não inclui IVA).
 Localizado no Miradouro de Montes Claros, no Parque de Monsanto, o edifício data de 1949 e é da autoria do Arq.º Francisco Keil do Amaral com a colaboração dos Arq.ºs Alberto José Pessoa e Hernâni Gandra. Os painéis de azulejos no topo da sala de refeições (principal) no piso superior são de autoria da Pintora Maria Keil.
 A data limite de entrega das propostas é 16 de Maio de 2011, estando o acto público marcado para o dia seguinte, 17 de Maio, pelas 10 horas.
Estas informações não dispensam a consulta dos respectivos Cadernos de Encargos. Mais informações em www.bizgov.pt.
 O Gabinete do Vereador José Sá Fernandes

03 abril 2011

Reportagem: viagem por uma noite de botellón em Lisboa


Por Cláudia Sobral

Gastar muito podendo gastar pouco? Os bares podem queixar-se, mas, enquanto puderem, estes jovens continuarão a sair de garrafa na mão.
Noite de sexta-feira, o Largo de Camões fervilha de gente. Cheira a cerveja, vinho, os pés colam-se ao chão pegajoso dos degraus que contornam a estátua de Luís de Camões. Álcool entornado. Quem chega vai-se sentando, em grupos, neste largo onde os jovens se juntam à noite para beber de garrafas que compram em supermercados ou lojas de conveniência. Sai mais barato. É o botellón português.
Vão chegando mais amigos. Depois - quando já todos os lugares estão preenchidos - começa a haver gente sentada às portas dos prédios que dão forma ao largo. E garrafas, muitas garrafas, sobretudo "litrosas" (cervejas de litro). "Litrosas" à volta da praça, dos bancos, da estátua. "Litrosas" nas mãos do mundo e em sacos de plástico. Para dividir entre amigos ou individuais.
Nikola Nikolov, crista preta, botas tipo Doc Martens, está com um grupo de punks que habitualmente se encontra por aqui. Costumam fazer malabarismo com fogo, mas hoje fazem a seco. Ainda é cedo, 22h45. "Veio falar com a pessoa certa", diz num português quase perfeito (tem 27 anos, vive em Portugal há dez). "Eu sou mais adepto do tinto, mas há quem seja da cerveja. Sinceramente, se tivesse "guito" até gostava de experimentar uns cocktails."
Não há dados sobre a dimensão do fenómeno do botellón (garrafa grande, em espanhol) em Portugal, mas João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), diz que é uma tendência que se tem notado. "Vemosque há recurso, com muita frequência, à compra de bebidas nos supermercados e nas lojas para consumo na periferia dos locais de diversão." A justificação é a mesma que dão os adeptos desta prática que os jovens portugueses parecem estar a importar de Espanha: o dinheiro. O botellón ganhou força em Espanha no início da década de 90, mas acabou por assumir proporções tais que, há cerca de dez anos, levou à tomada de medidas de controlo por parte das autoridades locais.
Avançando-se pela Rua do Loreto vai-se logo dar aos bares do Bairro Alto. Uma cabeça ruiva grita, do meio da confusão: "Vamos ao Celta!" E avançam. Ela leva a garrafa, os amigos levam cada um o seu copo, que não é por se pagar pouco que tem de se beber do gargalo.

Bares contra as garrafas

Bar, restaurante, bar, loja de conveniência, outro bar. É isto o Bairro Alto à noite. Numa das ruinhas apertadas, uma destas lojas exibe os seus atributos num painel laranja, à entrada: "Mini ?0,80, imperial ?1, litrosa ?2." Três amigas com pouco mais de 20 anos vão bebendo, sentadas à porta de um prédio. "É bastante mais barato e a cerveja é a mesma", diz Madalena Braga (nome fictício). De repente chegam mais amigos da Faculdade de Letras. Uma amiga oferece-lhes uma bebida numa garrafa de alumíno da moda. O que era? " Uma mistura de vodka." Também há quem leve para a rua bebidas de casa. Madalena e as amigas sabem que os proprietários dos bares gostam pouco, mas isso não é problema delas, que estão na rua.
Quem compra em lojas de conveniência já conhece as que têm os melhores preços. Francisco Silvério, para quem o botellón é uma rotina de fim-de-semana desde que começou a sair, explica que as lojas dos indianos - normalmente abertas até tarde - conseguem preços de "litrosa" mais competitivos do que o próprio Pingo Doce, algo que lhes parece incompreensível. Esta noite bebem cerveja. Em "dias especiais" poderão comprar whisky ou vodka.

Beber antes da discoteca

Preocupada com as proporções que o botellón possa vir a atingir, a Associação de Comerciantes do Bairro Alto lançou, no Verão, a campanha Garrafas na Rua Não, Abaixo o Botelhão, contra a venda de bebidas em garrafas pelas lojas de conveniência às horas em que os bares estão a funcionar.
"Isto é uma forma de concorrência desleal com os outros estabelecimentos", critica Belino Costa, presidente da associação, que fala também na falta de controlo e na venda de bebidas a menores de 16 anos. Mas muitos desses jovens dizem que também nos bares não existe esse controlo e que são os supermercados das grandes cadeias os mais preocupados com o cumprimento da lei. Meia-noite, estação de metro da Baixa-Chiado. Joga-se à bola com uma garrafa já vazia enquanto o metro que vai para o Cais do Sodré não chega. O metro é outro dos lugares em que se nota a dimensão do botellón em Lisboa. Garrafas para aqui, garrafas para ali.
Entre o Cais do Sodré e Santos, as ruas estão quase desertas, mas se há uns bancos, há gente sentada a beber. Quase sempre "litrosa", do mais barato que há. Pouco depois da meia-noite ainda há lojas geridas por indianos abertas.
Chega-se a Santos e é outro mundo. Jovens mais novos, adolescentes. O Largo do Conde- Barão é mais um "botelhódromo". Garrafas espalhadas, à volta de todos os bancos, onde não cabe mais ninguém. Meia-noite e meia. A loja de conveniência da zona vai facturando. No dia seguinte de manhã as garrafas continuarão aqui - algumas partidas. Estão por todo o lado. Quem mora nestas zonas não será tão adepto do botellón como quem bebe.
Um grupo de meia dúzia de amigas que acabou de comprar cervejas de litro e tabaco encosta-se a um canto a preparar-se para a noite, que começa aqui. "Econtramo-nos sempre por aqui, os nossos amigos vêm cá ter. Bebemos para depois sair. Não bebemos em discotecas, sai caro." As roupas e a maquilhagem não ajudam a adivinhar, mas têm por volta de 19, 20 anos. Fazem isto desde os 15. "A seguir vamos para o Urban." Não é desconfortável beber na rua? "Se estivesse ali em cima, na Botica, pagávamos mais e acabávamos por também estar cá fora", responde Rita Mendonça (nome fictício).
A Botica fica na Avenida D. Carlos I, uma zona de bares, onde raparigas tentam equilibrar pernas nuas de 14 ou 15 anos em cima de saltos altos - demasiado altos. Há bebidas alcoólicas em garrafas de água amassadas de tanto as apertarem, para que a embriaguez chegue mais rápido. Pergunta-se pelas idades e todos dizem que têm 16, 17, 18. Mas o corpo denuncia-os. Chega o táxi para ir embora: "Miúdas de 13, 14, 15 anos. Ficam em coma alcoólico, uma vez levei uma ao hospital. Outra parecia uma boneca de porcelana, sentada no passeio com uma perna para cada lado, sem se mexer."