29 dezembro 2008

PASSAGEM DE ANO COM PROLONGAMENTO DE HORÁRIO


Em resposta a um pedido de informação dirigido à Câmara Municipal de Lisboa sobre os horários da noite da Passagem de Ano, esta informou a ACBA que "o Sr. Presidente, sobre a informação da Junta de Freguesia da Encarnação (no qual se propôe “a título excepcional e para a passagem de ano, autorizar o funcionamento dos estabelecimentos até às 3 horas da manhã.”), exarou o seguinte despacho: Visto. Nos termos do n.º 3 do art. 2.º do Despacho n.º 151/P/2008, de 16 de Outubro, autorizo como proposto (…)”.

Assim na noite de 31 de Janeiro todos os estabelecimentos poderão funcionar até às três horas, do que foi devidamente informada a Polícia Municipal.

19 dezembro 2008

UM CONTO (POUCO) NATALÍCIO



Al Berto
Os Jardins do Paraíso


De vez em quando, Lisboa tem crepúsculos misteriosos. Uma luminosidade fulva envolve a cidade, veste-a, e ela desata a arder. Depois, a fina bruma esconde o Tejo, a ponte, os fumos negros da outra margem. A cidade desaparece, aos poucos, sob um lençol de branca humidade. Faz hoje um ano, precisamente, que ela desapareceu. A noite caía, como hoje, lenta e húmida. Lembro-me de tudo como se fosse neste preciso instante...
Vinha do sul, e quando cheguei à ponte fui obrigado a seguir o ritmo enervante do engarrafamento. Ao fim de hora e meia consegui entrar na cidade, cansado e com os nervos esticados a ponto de rebentarem.
A noite pairava, suspensa, sobre o casario. Lisboa – enquadrada pelo pára-brisas assemelhava-se a um cenário de filme. Cobria-a uma luz enevoada, e assim que a noite a engoliu por completo, iluminou-se.
Mas apesar de iluminada, quase profusamente, parecia uma cidade deserta.
Era tarde e tinha fome quando cheguei, por fim, a casa. Fiz dois ou três telefonemas e decidi ir comer qualquer coisa ao Bairro Alto, ao Fidalgo. Precisava de descomprimir e ali, no Fidalgo, tinha quase a certeza de encontrar alguém conhecido.
Não estava ninguém. Jantei sozinho.
Depois do jantar andei de um lado para o outro, sem saber muito bem onde ir. O bairro, à sexta-feira, transforma-se num frenesim de gente. Acabei por ir espreitando em tudo o que era bar, até que aterrei desesperado, e meio bêbado, no Frágil.
Atravessei a multidão de estafetas-de-fim-de-semana e os basbaques que se encostam às paredes durante horas, saltitei por entre os corpos que dançavam a alta velocidade, acenei ao Zé Pedro e ao Diniz, e fui despejado com um empurrão contra o bar.
Respirei fundo, levantei a mão e fiz sinal ao Carlos que, de imediato, me trouxe uma cerveja.
Encostei-me ao bar, olhando à minha volta, e acabei por descobrir a mulher que, a meu lado, me olhava – e me parecia ser a pessoa que procurara a noite toda.
Olhou-me de soslaio e depois frontalmente. Esboçou um sorriso, virou-se para o bar, pegou no copo e bebeu o vodka-laranja de um trago.
Depois, virou-se para mim e disse com brusquidão:
- Pareces-te bastante com o Mário. - Mário? Não me chamo Mário. Qual Mário? - respondi-lhe.
Sem dar atenção à minha pergunta, ela começou a falar do Mário. A sua voz rouca arrastava-se a cada palavra.
- Mário – começou ela a dizer, interrompendo-se de quando em quando para beber – chegou sei lá de onde e ficou uma semana em Lisboa. E desapareceu... depois, desapareceu... até hoje. Apaixonámo-nos, uma paixão repentina, não nos largámos mais. Até a cidade mudou durante essa semana. Mas quando se foi embora, tudo o que me rodeava começou a morrer... e alguns dias mais tarde comecei a receber, com regularidade, bilhetes postais; chegavam dos lugares mais longínquos. Mário escrevera em todos os postais a mesmíssima coisa:
"Encontrei isto num livro: os rios arrastam com eles a imagem das cidades que atravessam. Amo-te, Mário."
"Então, comecei a andar por aí, à procura dele nos outros homens. A ausência de Mário corroía-me. E quando encontrava qualquer coisa de Mário noutro homem – um gesto, um olhar, uma peça de vestuário, qualquer coisa ínfima... – ficava louca, sentia-me enlouquecer, percebes?, tinha vontade de os matar e... em abono da verdade foi o que acabei por fazer...
Calou-se repentinamente. Bebeu com sofreguidão e olhou-me.
Não disse nada, sentia-me paralisado, confuso; era-me difícil imaginá-la a matar fosse quem fosse. O seu rosto revelava doçura, os olhos eram de um negro profundo, inquietos...
Aproveitei aquele silêncio para mudar de assunto, perguntei-lhe à queima-roupa onde ia quando saísse dali.
Olhou-me fixamente, encolheu os ombros e balbuciou:
- Não tenho a mínima ideia. Talvez para casa, estou cansada... talvez não... hoje...
Saímos dali e descemos a Travessa da Queimada. Acompanhei-a até ao táxi. Perguntei-lhe se podíamos jantar no dia seguinte.
Sorriu, agarrou-me no braço, fazendo-me parar, e beijou-me. Ao largar-me, recuou um passo e entrou apressadamente no táxi. Vi-a dizer a morada ao taxista. Em seguida abriu a janela e sussurrou:
- Às oito e meia, no Último Tango.
Especado no passeio, fiquei a ver o táxi afastar-se em direcção à Rua do Alecrim.
Não estava muito longe de casa. Resolvi ir a pé, precisava de apanhar ar. E enquanto subia a Rua de S. Pedro de Alcântara, veio-me à cabeça o que ela me contara. Ouvia a sua voz como um murmúrio, como se ela estivesse ali, atrás de mim: - Não sei se sabes, mas as grandes paixões são sempre repentinas. Sobretudo se se trata de um desconhecido que se atravessa no caminho. Mário atravessou o meu, e eu o dele. Quando isto acontece, estás a entender?, o tempo pára, suspende-se, ou deixa de existir. Talvez seja por isso que a paixão se constrói à mesma velocidade fulminante com que se arruina. A cidade viu-nos e acolheu-nos. Vagabundeámos noite e dia, até à exaustão. Amámo-nos por aí... em hotéis baratos, e quando dormíamos o rio atravessava o nosso sonho. Mas quando o contemplávamos horas a fio, ao fim da tarde, sabíamos que um dia, um dia muito próximo, nos perderíamos um do outro. E uma manhã... quando acordei, Mário já ali não estava. A cama vazia era como se o rio tivesse parado de correr. De repente... a vida parou... a minha vida parou...
Meti a chave à porta. Cambaleei corredor fora, até ao quarto. Atirei-me, vestido, para cima da cama e não consegui dormir. Fechei os olhos e via-a. Via-a caminhando pela noite ácida da cidade, em direcção ao rio, procurando Mário. Falava sozinha, mas não consegui perceber o que dizia.
Mesmo antes de adormecer, lembro-me, vi a sua silhueta imobilizada, em contraluz, junto à água negra do Cais das Colunas.
No dia seguinte levantei-me tardíssimo, e ressacado. Meti-me na banheira, uma caneca de café na mão, e pus-me a acender os cigarros uns nos outros.
Esperei a hora do jantar numa inquietação sem medida. Não conseguia estar quieto, nem ler, nem concentrar-me no que quer que fosse. Passei duas horas a andar de cá para lá, a desgastar a alcatifa, sem proveito algum. Sentia-me uma fera enjaulada cujo tratador se esqueceu de alimentar.
Por volta das oito saí para a rua e apanhei um táxi. Na Brasileira dei uma vista de olhos pelos títulos dos jornais, comprei cigarros, e dirigi-me para o restaurante.
Quando entrei no Último Tango, vi-a de imediato. Estava vestida de negro, sentada numa posição um pouco hirta, e bebia aos golinhos um martini rosso.
Levantou a cabeça, atirando os cabelos para trás dos ombros, e olhou-me:
- Olá Mário!
- Já te disse que não sou Mário.
- Nenhum importância – respondeu ela, enquanto pegava no menu e o abria, lendo-o em voz alta.
Estava sentado à sua frente, sem saber o que dizer. Ouvi-a encomendar um arroz de tamboril e um vinho branco de que já não me lembro a marca...
Depois, virando-se para mim, aproximou os lábios dos meus, e recomeçou a falar, muito baixinho:
- Viste as notícias nos jornais? Ainda não descobriram se o rapaz encontrado morto no Jardim da Estrela, a semana passada, se envenenou ou foi envenenado... um mistério, não achas? A cidade tem destas coisas, assim misteriosas...
Lentamente afastou-se de mim, voltando à posição um pouco hirta, de copo na mão, atirando os cabelos para trás com um movimento breve da cabeça.
Eu tinha, de facto, sido atraído para aquele título, ao qual se seguia uma fotografia do morto, sentado num banco de jardim, como se estivesse a dormitar.
Ela sorriu, ficou em silêncio um momento antes de prosseguir:
- Tenho a certeza de que foi envenenado. E o outro, o que encontraram há quinze dias, junto ao Cais das Colunas, também.
Olhei-a receoso.
Vi-a levantar o copo e bebericar o vinho. Depois, pousou o copo, e ficou absorta, o olhar perdido algures atrás de mim.
Lá fora chuviscava, a noite caía sem pressa.
Suspirou. Os nossos olhares encontraram-se de novo, no instante em que ela retomou o monólogo. Escutei-a atentamente, sem articular um som, e sem acreditar numa só palavra do que me contava.
- Quando o Mário se sumiu, andei por aí, como um barco à deriva, procurando-o avidamente. O pior é que eu sabia que ele desaparecera para sempre, sem rastro. Nestas deambulações pela cidade acabei por encontrar o Jorge. Andei com ele alguns dias. Fazíamos os mesmos percursos que eu fizera com o Mário. Até que, uma noite, antes que o Jorge também fugisse, decidi liquidá-lo. Isso mesmo, liquidá-lo. Fomos jantar e depois andámos a beber até de manhã. De madrugada, na Suíça, enfiei-lhe o veneno no café; enquanto ele comprava cigarros. Em seguida fomos até ao Cais das Colunas e eu esperei que o veneno fizesse efeito. O Jorge começou a ter vertigens. Sentámo-nos perto da água e ele, coitado do Jorge!, pensou que era excesso de álcool... estendeu-se nas lajes húmidas e morreu. Fui-me embora sem olhar para trás.
"Duma outra vez, encontrei o Mário no olhar de Manuel. E, um dia, olhei-o a dormir, durante a noite toda. O problema é que o Manuel, com os olhos fechados, nu... não tinha nada que se parecesse com o Mário. Eram os seus olhos, a sua maneira de olhar, que me recordavam Mário. Quando o Manuel dormia, o Mário deixava de existir para mim. Senti que tinha de o fazer desaparecer rapidamente. E não consegui esperar que acordasse. Era quase manhã, o dia apenas despontava. Levantei-me, fiz café e acordei-o, dizendo-lhe que me apetecia passear no Jardim da Estrela, que estava uma manhã linda, que... e lá fomos, falando disto e daquilo. O sol começava a aquecer. O jardim ainda estava deserto àquela hora. O Manuel começou a ter náuseas. O veneno, diluído no café, agia.
"Abandonei-o no banco onde o encontraram. É uma chatice ter de os matar, percebes?... só para manter viva esta paixão por Mário...
Subitamente desatou às gargalhadas.
Eu continuei a tentar comer, calmamente, sem dar grande importância ao que ela me revelava, mas ao fim de alguns minutos senti-me desfalecer. Levantei-me e corri para a casa de banho. Fechei-me lá dentro. Encostei-me à parede e pensei: "Está visto, seu cretino, que és o próximo a lerpar."
Um arrepio percorreu-me a espinha, comecei a transpirar. Mijei. Respirei fundo, molhei a cara e o pescoço com água fria. Recompunha-me como podia, e quando saí dali continuava a não saber o que fazer.
Sentei-me, o mais calmo que pude. Ela encheu-me o copo até ao rebordo. Não lhe toquei.
- Quero que vejas os bilhetes postais que o Mário me escreveu. Tenho-os aqui – disse ela, pousando com delicadeza a garrafa; e abrindo o saco, tirou dele um molho de postais que espalhou à minha frente.
Observei-os. Todos tinham escrito exactamente a mesma coisa:
"Encontrei isto num livro: os rios arrastam com eles a imagem das cidades que atravessam. Amo-te, Mário."
Acabámos de jantar em silêncio.
Lá fora começara a chuviscar, lembro-me. As ruas enchiam-se de gente que entrava e saía dos bares e restaurantes.
De repente ocorreu-me que não sabia o nome dela e que, na verdade, me esquecera de lho perguntar.
Agarrei na garrafa e enchi-lhe o copo, exactamente como ela fizera com o meu.
Por fim, enchendo-me de coragem, e pensando para comigo mesmo que nada daquela conversa tinha pés e cabeça, e que tudo aquilo não passava de um jogo de sedução -, pequei no copo e perguntei-lhe com a maior naturalidade de que era capaz:
- Ao menos, diz-me como te chamas... e vamos beber. Se o teu nome não for um segredo, claro...
E aproximei o copo da boca, e mal o fiz, senti-o voar-me da mão com o safanão que ela acabara de dar-me. Estupefacto, petrificado, ouvi-a murmurar:
- Isabel... Isabel...
Ao mesmo tempo que se levantava e corria para a porta.
Alguns dias mais tarde, não sei bem quantos, comecei a receber os bilhetes postais que Mário lhe enviara. Chegavam, um a um, num envelope, de lugares longínquos. Isabel assinara por baixo da assinatura de Mário – era tudo.
Guardei-os, ainda os tenho aqui, diante de mim.
Hoje, passado um ano, assim que a noite cair e as ruas se encherem de gente, vou sair e perder-me... à procura de quem? De Isabel?


Al Berto, "Os Jardins do Paraíso", Lisboa: Curta-Metragem,
"VER", Verão 1994, No 72, pp. 122-125

SEMSIM ANIVERSÁRIO

18 dezembro 2008

A NÃO RESPOSTA DA JUNTA DE FREGUESIA

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Lê-se e até custa acreditar. A Junta de Freguesia da Encarnação em resposta aos pedidos de vários estabelecimentos que, de acordo com o despacho camarário, solicitaram o respectivo prolongamento de horário, vem dizer em carta assinada pelo tesoureiro, Domingos Alvarez, que só reapreciará (?) tais pedidos “a partir de Janeiro”.

Numa altura em que uma terrível crise assola a economia nacional e muito especialmente o Bairro Alto, a Junta de Freguesia da Encarnação em vez de ser célere a cumprir o Despacho do senhor Presidente António Costa, não só questiona a decisão camarária como, assumindo uma total parcialidade num processo que deveria intermediar, revela uma grande insensibilidade social.
Com este adiamento não só está a boicotar a aplicação do Despacho como a dar um contributo decisivo para a falência das empresas e o aumento do desemprego que irá fatalmente deprimir toda a vida económica do Bairro. Os moradores, e muitos são comerciantes e trabalhadores no comércio local, irão fatalmente sofrer com esta tomada de posição que revela uma enorme falta de respeito pelo Bairro Alto e pela democracia. Até porque há muitos moradores a subscreverem nos pedidos de prolongamento de horário de alguns estabelecimentos.



Assim não!

O BAIRRO NO "NEW YORK TIMES"

O "New York Times" acaba de publicar uma reportagem sobre Lisboa. A jornalista começa a visita numa sexta-feira à tarde pela zona com a maior movida da Europa, o Bairro Alto:
"De manhã, o histórico bairro pertence aos velhos homens e mulheres que deambulam pelos empedrados das ruas da colina com tranquilidade. À noite - e quanto mais tarde melhor - o bairro pertence aos frenéticos noctívagos (fique longe se tiver mais de 35 anos). Durante a tarde é uma altura encantadora para explorar o bairro com lojas alternativas e galerias de arte.”

Aqui fica o registo para memória futura

17 dezembro 2008

BRINQUEDOS DE SEMPRE


Natal é tempo de brinquedos e brincadeiras. Na Travessa da Espera abriu "Brinquedos de Sempre" uma loja onde poderá encontrar os brinquedos que fizeram as delícias de muitas gerações.


Travessa da Espera, nº 47/49.

2ª a 4ª : 17h - 23h.

5ª a 6ª: 17h - 24h.

Sábado: 14h- 24h.

Domingo: 14h-20h.

15 dezembro 2008

SEM LUZES...


Enquanto na cidade brilham as luzes de Natal, no Bairro Alto até as luzes do dia a dia se vão apagando. E que falta nos faz a luz do candeeiro da esquina da Rua da Atalaia com a Travessa da Espera...

13 dezembro 2008

NOVO RESTAURANTE


Nestes tempos de grave crise é de saudar quem, contra ventos e marés, insiste em correr riscos e criar empregos. É bem merecedora de especial saudação a inauguração do novo restaurante Bubbly, na esquina da Rua da Barroca com a Travessa do Poço da Cidade.

É mais um projecto que vem enriquecer o Bairro Alto e a cidade de Lisboa, recuperando um espaço (o antigo "Queijeiro") encerrado há já alguns anos.

Boa sorte.

04 dezembro 2008

PARTIU O LIVREIRO E A LIVRARIA. FICOU O CORNETEIRO.


Quem passa pela Travessa da Queimada ainda pode observar na parede o corneteiro com o seu cartaz anunciando: “Livraria JCSilva – Livros antigos – Gravuras – Curiosidades.”
O elegante corneteiro é agora bem mais do que um simples anúncio comercial. É um sinal, um quase monumento em memória e homenagem a José Maria da Costa e Silva (Almarjão) que, em 1956, ali fundou a Livraria Histórica e Ultramarina, lda.




Aquele primeiro andar logo se tornou num pólo de interesse para bibliófilos, estudiosos e investigadores, num ponto de encontro para tertúlias.

O largo espólio bibliográfico, assim como documentação de vários tipos, (impressos, manuscritos, mapas, gravuras, fotografias, etc.) cobriam as paredes de um local mágico onde nem faltava um primitivo poço, um romântico jardim interior e uma escada em caracol.

José Maria Costa e Silva (Almarjão), Grande Oficial da Ordem do Infante, o decano dos livreiros e antiquários portugueses faleceu no passado dia 4 de Novembro. Contava 88 anos.

Com ele partiu também a livraria que mudou de instalações para a Rua José Lins do Rego nº 2 B, ao Campo Grande. Fica a memória de um homem e de mais um espaço de cultura que o Bairro Alto perde.



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27 novembro 2008

O REGRESSO DO EDIFICIO NOTÍCIAS/CAPITAL

Um edifício devoluto do Bairro Alto, em Lisboa, vai transformar-se a partir de quinta-feira e até 14 de Dezembro numa galeria de arte urbana, onde além de uma exposição vão decorrer sessões de cinema, debates e pintura ao vivo.
O número 103 da Rua Norte, onde em tempos funcionou a redacção de «A Capital» e foi sede da companhia teatral Artistas Unidos, foi cedido ao colectivo Visual Street Performance pela Câmara Municipal de Lisboa temporariamente, mas a ideia é continuar.
«Temos projectos para o futuro do espaço, que já apresentámos à autarquia. Queremos criar ali uma galeria permanente de arte urbana com uma componente educacional», explicou à Lusa Leonor Viegas, da organização da iniciativa.
A exposição de obras dos sete artistas do colectivo e de dois convidados, um deles estrangeiro, é inaugurada quinta-feira às 18:00 com um espectáculo de guitarra portuguesa e pintura ao vivo.
Até 14 de Dezembro, os visitantes são convidados a apreciar a exposição central que está aberta ao público todos os dias a partir do final da tarde, exceptuando as terças-feiras.
«Às quartas e quintas-feiras haverá cinema, aos domingos conversas e debates informais, e aos sábados teremos pinturas ao vivo», referiu Leonor Viegas.
O uso não pensado do espaço público, o crime artístico e a subversão e consumo - espaço público/espaço colectivo são os temas que vão levar à Rua do Norte artistas, sociólogos, antropólogos, arquitectos, representantes de marcas e jornalistas.
Já este sábado haverá pintura de muros exteriores na Travessa do Poço da Cidade entre as 13:00 e as 17:00.
Uma semana depois, a 06 de Dezembro, Krek, «o único artista a estar preso 15 meses por fazer grafitti», vai estar no Bairro Alto a mostrar ao vivo o seu trabalho.
Já a 13 de Dezembro, mas na Fábrica de Braço de Prata, em Marvila, é a vez o público mostrar o que vale. «Entre as 11:00 e as 15:00 quem quiser é convidado a pintar», disse Leonor Viegas.
O projecto tem também um lado de responsabilidade social.
«Temos connosco três jovens do programa Escolhas a ajudar na produção da exposição», contou Leonor Viegas.
O colectivo acompanha o programa através da realização de workshops de arte urbana em bairros problemáticos.
A exposição do colectivo Visual Street Performance vai já na quarta edição. A primeira realizou-se em Março de 2005 no espaço Interpress, no Bairro Alto, a segunda foi em Maio de 2006 no mesmo local, em 2007 o colectivo mudou-se para a Fábrica de Braço de Prata, voltando este ano ao Bairro Alto.
O colectivo é formado por HBSR81, Hium, Klit, Mar, Ram, Time e Vhils.

Diário Digital / Lusa

17 novembro 2008

NOVO DESPACHO ALTERA Nº 3 DO ARTIGO 2º


Foi publicado no Boletim Municipal da Câmara Municipal de Lisboa nº 768 (6 de Novembro, 2008) o Despacho 165/P/2008 que vem alterar a redacção o número 3 do artigo 2.º do Despacho n.º 151/P/2008, publicado no 2.º Suplemento ao Boletim Municipal n.º 765, de 16 de Outubro.
Com a nova redacção a prática de horários diferenciados (tanto na abertura como no fecho) passa a ser permitida desde que a Junta de Freguesia dê parecer favorável e "a alteração proposta não afecte o normal horário de descanso dos moradores, ou a experiência revele que o estabelecimento pela sua localização específica ou pelo equipamento aí instalado não é perturbador daquele descanso, ou que o seu normal funcio­namento não se reflecte na via pública."

Despacho nº 165/P/2008

“Considerando que, através do Despacho n.º 151/P/2008 publicado no 2. ° Suplemento ao Boletim Municipal n.º 765 de 16 de Outubro foram fixados novos limites de horários de funcionamento dos estabelecimentos de restauração e bebidas localizados no Bairro Alto;
Atendendo a que só se prevê, nesse despacho, a possibilidade dos estabelecimentos classificados como cabarets. Pubs, bares e estabelecimentos análogos serem autorizados, mediante requerimento instruído com parecer favorável da Junta de Freguesia respectiva, a praticar um horário compreendido entre as 17 horas e as 3 horas às Sextas-feiras, Sábados e vésperas de Feriado;
Tendo em atenção que as Juntas de Freguesia constituem, nos termos do artigo 235.º e seguintes da Constituição da República Portuguesa, pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de inte­resses próprios das populações respectivas;
Considerando que estas, pela sua proximidade às populações residentes e às realidades locais, dispõem de um manancial de informação e experiência que deverá ser atendido na regu­lação dos horários das actividades comerciais;
Atendendo que importa, em especial, valorizar esta informação e experiência no caso concreto do Bairro Alto, alargando o quadro temporal e a tipologia de estabelecimentos relati­vamente aos quais se pode relevar positivamente o contributo das Juntas;
Atento o exposto, determino que o número 3 do artigo 2.º do Despacho n.º 151/P/2008, publicado no 2.º Suplemento ao Boletim Municipal n.º 765, de 16 de Outubro, passe a ter a seguinte redacção:

3 - Por decisão fundamentada do membro do Executivo Camarário com o Pelouro das Actividade Económicas poderão, contudo, os estabelecimentos ser autorizados a praticar um horário de funcionamento diferenciado, mediante requeri­mento dos interessados, que devem ser instruído com parecer favorável e fundamentado da Junta de Freguesia da respec­tiva área, designadamente quando a alteração proposta não afecte o normal horário de descanso dos moradores, ou a experiência revele que o estabelecimento pela sua localização específica ou pelo equipamento aí instalado não é perturbador daquele descanso, ou que o seu normal funcio­namento não se reflecte na via pública. “


Paços do Concelho de Lisboa, em 2008/11/03.
O Presidente.
(a) Antônio Costa


Nota: A redacção original, agora alterada, era a seguinte:

"3. Por decisão do membro do executivo camarário com o pelouro das actividades económicas, os estabelecimentos a que se refere a alínea a) do número 1.2. (cabarets, pubs, bares, e estabelecimentos análogos), poderão, contudo, ser autorizados a praticar um horário compreendido entre as 17 horas e as 3 horas, às Sextas-feiras, Sábados e vésperas de feriado, mediante requerimento dos interessados, que deverá ser instruído com parecer favorável da Junta de Freguesia da respectiva área.”

14 novembro 2008

MAIS POLÍCIA MUNICIPAL

Mais polícia no Bairro Alto para fiscalizar novos horários
A Polícia Municipal de Lisboa vai reforçar o efectivo de agentes durante a madrugada de sábado, para «fazer cumprir os horários de fecho dos estabelecimentos comerciais», informou hoje o comandante daquela força, André Gomes.
O responsável policial justificou esta medida com a necessidade de «fazer cumprir a resolução camarária», que estabelece os novos horários de funcionamento para os estabelecimentos nocturnos da cidade, em particular do Bairro Alto.
Os novos horários de funcionamento entraram em vigor depois de vários residentes terem «apresentado junto da Câmara, do Governo Civil e da Provedoria inúmeras reclamações denunciando o incómodo repetido e constante, originado por muitos estabelecimentos em funcionamento até de madrugada», refere o despacho.
As cervejarias, restaurantes e snack-bares, podem funcionar das 09:00 da manhã até às 02:00 da madrugada, durante todos os dias da semana, de acordo com o despacho municipal.
Já os clubes, dancings e casas de fado podem laborar entre as 17:00 e as 04:00, às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado, enquanto nos restantes dias o limite de funcionamento são as 02:00
No último fim-de-semana, dezenas de utentes dos bares do Bairro Alto protestaram contra a decisão camarária de encerrar os estabelecimentos mais cedo, soprando em apitos.
A Policia Municipal foi chamada ao local, tendo recolhido «cerca de 400 apitos», acrescentou ainda o comandante da Polícia Municipal.
Os novos horários de funcionamento foram publicados no Boletim Municipal nº 765, através do despacho presidencial 151/P/2008 em que são estabelecidas as novas regras para as casas comerciais.

Diário Digital / Lusa
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008,15:14

11 novembro 2008

COMUNICADO DA DIRECÇÃO

Em reunião de direcção realizada hoje, dia 11 de Novembro, pelas 16 horas, a Associação de Comerciantes do Bairro Alto, aprovou por unanimidade um voto condenando o denominado “apitão”assim como todas as formas de protesto que não respeitam ordem pública.

Em democracia o caminho faz-se pelo diálogo. Mais ainda quando o que está em causa é a sobrevivência económica de muitas famílias. O receio não deve dar lugar ao desespero.

Apelemos à sensibilidade social do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, à busca do equilíbrio entre o necessário descanso dos moradores e a necessária viabilidade económica das empresas.

Muitos associados nos têm perguntado se corresponde à verdade o anúncio feito pela “SIC Notícias”, no passado sábado (http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Frequentadores+querem+bares+abertos+ate+as+4h00.htm), onde se diz: "A autarquia cedeu às reivindicações dos proprietários e avançou com um novo despacho, que deverá, em breve, substituir o actual."

A notícia, que ainda não foi desmentida ou confirmada, não revela qualquer fonte que a credibilize pelo que se apela ao cumprimento dos novos horários estipulados pelo despacho nº 151/P/2008

11 Novembro 2008

A Direcção da Associação de Comerciantes do Bairro Alto

10 novembro 2008

DESPEDIMENTOS


Já começaram os despedimentos no Bairro Alto
09 11 2008 21.30H


Há uma semana que o Bairro Alto passou a encerrar às 2h, por imposição da Câmara de Lisboa. A medida, apoiada pelos moradores, mas fortemente contestada pelos comerciantes, continua a gerar polémica e a dividir os visitantes.
Sexta-feira, um grupo decidiu protestar distribuindo apitos, na hora que dita o encerramento das portas. Sábado foi convocada uma manifestação e o Destak saiu à rua para fazer o balanço da primeira semana de vida com novas regras.


Inês Santinhos Gonçalves destak@destak.pt


Este tem sido um ano difícil para o emblemático espaço nocturno lisboeta. A Lei do Tabaco obrigou a gastos, que aumentaram com o pagamento de um reforço de segurança, por parte dos comerciantes. Agora, muitos dos bares fecham duas horas mais cedo.
Sexta-feira um grupo de frequentadores indignados decidiu protestar, distribuindo apitos às 2h. Sábado foi convocada uma manifestação. O Destak foi para a rua saber qual o balanço da primeira semana para comerciantes e clientes.
«Perdemos à volta de 50% dos lucros», contou Alfredo Macedo, empregado do bar Palpita-me, explicando que como a clientela só chega pela 1h15 resta muito pouco tempo para o negócio.
«Abrimos às 19h, e como vê, ainda não está cá ninguém», diz apontando para o bar vazio no início da noite. Os despedimentos são «inevitáveis»: «Aqui no bar já vão três pessoas embora».
O mesmo dizem Carlos, Ana e Bruno, de bares da Rua da Barroca que preferem não identificar por medo de represálias. «Isto é um lobby da Junta de Freguesia; a maioria dos moradores dá-se bem com os bares e
até querem que estejam aqui por motivos de segurança», explicam. O corte nos lucros, dizem, vai tirar emprego a muitas pessoas, «ao ponto de pôr em causa a existência de grande parte dos bares».
Para estes comerciantes, o desemprego irá afectar não só os bares, mas os restaurantes e as mercearias, num efeito de cadeia: «Aqui toda a gente vive dos negócios uns dos outros».
Pedem para regressar ao tema da segurança: «A partir de agora isto começa a ficar deserto mais cedo, mais cedo começa a haver problemas. Todos sabem que no Bairro Alto há tráfico de muita coisa. Se os bares
fecharem mais cedo, o tráfico continua a existir e pode criar-se um guetozinho. Os traficantes passam a vir para aqui como vinham para o casal ventoso».
Os três colegas fazem questão de salientar que não estão só preocupados em fazer dinheiro. Admitem que seja necessário um entendimento. Consideram que a solução poderia passar pela proibição de venda de bebidas na rua.
«Se a câmara proibisse beber na rua, as pessoas teriam que entrar para os bares e aí já poderia haver uma parceria entre os bares e a câmara para tentar resolver o problema». Mas assim, «é apenas pura repressão».
Opiniões dividem-se
Pela 1h da manhã, um grupo de amigos na casa dos vinte conversa animadamente de copo na mão. «Acho bem, é uma questão de respeito pelas pessoas que vivem aqui. Têm que adaptar a cidade, mudar as zonas de bares para os arredores», opina Marina. «Não! Não há nada como o
Bairro», contrapõe Tristão.
«Acho que agora está mais limpinho e tem menos gente», diz Fátima, que não põe a hipótese de deixar de ir ao bairro onde é presença fiel «quase todas as semanas».
Copo vai, copo vem, surgem algumas propostas politicamente incorrectas: «Deviam criar alojamento noutro sítio para as pessoas que moram aqui», diz Ruben entre gargalhadas. A sugestão era uma brincadeira, mas outra surge um pouco mais séria: «E porque não vidros duplos nas janelas e pronto?»

http://www.destak.pt/artigos.php?art=15803

SIC NOTÍCIAS: NOVO DESPACHO

De acordo com a SIC Notícias, "A autarquia cedeu às reivindicações dos proprietários e avançou com um novo despacho, que deverá, em breve, substituir o actual."

A notícia está em:
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Frequentadores+querem+bares+abertos+ate+as+4h00.htm


08 novembro 2008

EXPRESSO


Novos horários. Moradores e comerciantes descontentes levam CML a reavaliar despacho


BAIRRO ALTO -1 CÂMARA - 0


Texto ALEXANDRA CARITA Foto NUNO BOTELHO


E ao sétimo dia, a Câmara recuou. A fiscalização não funcionou, os protestos não acalmaram e a diversão nocturna no Bairro Alto manteve-se como antes. Uma semana depois da entrada em vigor dos novos horários nocturnos do Bairro Alto, a Câmara Municipal de Lisboa cedeu às reivindicações dos comerciantes e avançou com novo despacho. O recuo de António Costa anula a imposição, fixada pelo despacho de 1 de Novembro, dos proprietários dos bares, cafés, restaurantes e casas de fado terem de submeter-se à avaliação aleatória da Junta de Freguesia para obter, ou não, prolongamento do seu período de funcionamento. A minuta está pronta e o novo despacho substituirá o anterior no mais breve espaço de tempo.
Em sede de reunião com a Associação de Comerciantes do Bairro Alto (ACBA), um dia antes da entrada em vigor do novo regulamento, António Costa começou por recuar no processo, prometendo uma reavaliação do despacho que estabelece as duas da manhã como hora-limite para o fecho dos estabelecimentos de restauração e bebidas. A meio da semana respondia à chamada de atenção feita por João Nabais, advogado "patrocinador" da ACBA, que alertava para o perigo da sua "decisão política" vir a dar origem "a situações menos claras de arbitrariedade e compadrio".
De resto, durante os primeiros sete dias de vigência dos novos regulamentos os moradores continuaram a queixar-se do barulho e os comerciantes da falta de fiscalização. "Quem é que me põe a mim na rua, se nem num bar entro. Trago as bebidas comigo e fico por aqui até dar". Assim falava ao Expresso Ivo, 18 anos, já passava das três da manhã de sábado, garrafa de litro de cerveja na mão. Dessa sua garrafa de cerveja é que falam os moradores. Dessa, de milhares de outras e dos copos de plástico amontoados por todo o lado. "Precisamos que fiscalizem isto. O barulho está na rua. Não vem de dentro dos bares". A frase é de Aurora Baptista, 68 anos, moradora na Rua do Grémio Lusitano, que não viu nada mudar a esse respeito durante a semana. "Ninguém quer incomodar os moradores", salienta Belino Costa, presidente da ACBA. O seu sossego, argumento-base da CML, é objecto de reflexão até pelos clientes do Bairro. "Deve ser complicado morar aqui", repetem a Ana, o Bruno, o Francisco, a Joana, quatro dos 30 mil clientes semanais do Bairro (números da ACBA).
Em nome da autarquia fala Duarte Moral, assessor de imprensa de António Costa, que começa por classificar a situação como um "choque de interesses irresolúvel, e acaba por fazer um «mea culpa» no que diz respeito à falta de fiscalização. "Essa é uma questão escandalosa e só imputável à autarquia, que tem de se canalizar cada vez mais para a função fiscalizadora e não licenciadora, área em que já demonstrou ser ineficaz", afirma. Já sem papas na língua, João Nabais diz que "o regime de excepção que a CML quer fixar para o Bairro Alto é discriminatório" e que "cria uma espécie de reserva índia dentro de Lisboa, onde os comerciantes têm menos direitos dos que os seus pares nos restantes bairros". O advogado analisa os recuos da CML como "um sinal positivo" e acredita que a solução será encontrada até Maio. Porém, os comerciantes têm já marcada para esta noite uma marcha de silêncio e mobilizam apoios via SMS.



Expresso, 8 de Novembro de 2008, pag 31

07 novembro 2008

ALMOÇOS EM CASA DE FADO

Luz verde a almoços em casas de fado
RICARDO PAZ BARROSOTamanho do tipo de letra

Os almoços não são o principal negócio das casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa, mas os proprietários estavam preocupadas com a recente proibição de funcionar a meio do dia. A Câmara de Lisboa voltou agora atrás.
"Creio que houve uma certa precipitação por parte da autarquia ao legislar daquela forma. Deviam primeiro ter ouvido as pessoas", comentou, ao JN, António Ramos, 53 anos, proprietário da casa de fados "O Faia", um espaço criado há cerca de 50 anos por Lucília do Carmo, mãe de Carlos do Carmo, que também chegou a gerir aquele espaço.
António Ramos referia-se à "marcha-atrás" efectuada pela Câmara de Lisboa em relação aos novos horários impostos a restaurantes, bares e discotecas daquela zona. No mês passado, recorde-se, a autarquia liderada por António Costa (PS) anunciou que clubes, boîtes, dancings e casas de fado apenas poderiam funcionar a partir das 17 horas, com fecho às 2 horas nos dias de semana, e 4 horas às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado. Tudo para acabar com a balbúrdia no bairro.
À parte da polémica que tal medida levantou entre os frequentadores do Bairro, já retratada nas páginas do JN, sobrou o facto de que, automaticamente, tal impedia as casas de fado de funcionar à hora de almoço, quando todas elas (A Severa; Luso; O Forcado; Faia e Adega do Machado) funcionam também como restaurante. Ontem, a Câmara de Lisboa recuou na imposição às casa de fado, abrindo uma excepção que as permite funcionar equiparadas aos restaurantes, ou seja, das 9 horas até às 2 horas.

Numa ronda que o JN efectuou ontem pelo Bairro Alto, a seguir ao almoço, a constatação é a de que o prejuízo directo causado pela legislação, que agora foi rectificada para as casa de fado, nem seria assim tão grande. Tudo porque é à hora do jantar que os turistas preenchem estas casas para ouvir o fado enquanto tomam a refeição.
Mas, lembra António Ramos, do Faia, "com a crise que anda por aí, eu até posso querer, de hoje para amanhã, começar a servir almoços em força, tentando captar outro tipo de clientela e assim não ter que despedir pessoas que já trabalham aqui há décadas".
Rita Machado, uma das proprietárias da Adega do Machado - casa fundada há 71 anos pelo pai e por onde já passaram dezenas de figuras públicas mundiais, como Kirk Douglas ou o Rei Humberto de Itália -, é taxativa: "Deus me livre, se ao final destes anos todos iria começar a servir almoços clandestinos no restaurante". Isto porque, descreveu Rita Machado, "os almoços não são o forte, mas temos grupos marcados com alguma frequência".
Na ronda que o JN efectuou, imediatamente surgiram situações que levantam dúvida. Por exemplo, na Adega do Mesquita, uma das primeiras casas onde entrámos, logo nos foi dito que aquela não é uma casa de fado, embora quem lá passe à noite ouça o fado a ser cantado a plenos pulmões.
O presidente da Associação dos Comerciantes do Bairro Alto, Belino Costa, tirou a dúvida: "Segundo o 3º Artigo, ponto 4, do despacho municipal 151-P/08, que regulamenta os novos horários, é necessário, para efeitos de equiparação, fazer um requerimento à Junta de Freguesia, para posterior despacho municipal".
A confusão não surge só em relação às casa de fado. A Ginginha das Gáveas abria às 9 horas e fechava às 3 horas. Agora, é equiparada a um bar, apenas podendo funcionar entre as 17 e as 2 horas. O que distingue aquele espaço de um café normal? "Sinceramente, não sei responder, mas preciso daquilo para sobreviver", descreveu Jaime Santos, o proprietário.

JN 2008-11-07

http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1039878

04 novembro 2008